Os rapazes tinham ido embora.
A Mia e eu ficámos mais uma semana.
Ficou mais frio depois disso. Mais chuvoso. Mais silencioso também. Não havia mais 4 vozes a preencher aquele apartamento. Apenas nós as 2, e 2 pacotes de cerveja no frigorífico que eu fui de alguma forma encarregada de acabar.
Todas as manhãs, a mesma rotina.
Eu acordava, sentava-me no chão da cozinha, puxava Bucovina para os meus braços…
E eu escrevia.
Se não estava a escrever, estava a fazer um diário.
Se não estava a fazer um diário, estava a dormir.
E se não estava a dormir, estava naquela janela, a olhar para a cidade lá em baixo.
Cada grão de areia que eu ainda encontrava no meu ouvido lembrava-me do que tinha sido perdido. E de alguma forma ainda alimentava os desejos infinitos de que nós os dois encontraríamos o caminho de volta um para o outro.
Que ele poderia construir-me um castelo, afinal.
Mas por baixo dessa esperança. Através das lágrimas que caíam em cada página daquele diário. Através da guitarra que eu segurava em vez do rapaz de olhos azuis. Através de cada canção que eu deixava transformar a dor em vez de me esconder dela.
Eu sabia.
Isto nunca ia acabar com ele.
Ia acabar comigo.
Com o que quer que eu construísse disto em vez dele.
Tudo sobre ele e eu tinha sido um círculo. Procurando a mesma pessoa, o mesmo talvez, repetidamente, nunca chegando a um lugar novo.
Um círculo prende-te.
Eu tinha estado a girar nesse círculo a semana toda, pensando que se eu apenas o repetisse o suficiente, encontraria a saída.
Ao passar pelo Arcul de Triumf na nossa última viagem para o aeroporto, e ao olhá-lo através da chuva na minha janela, percebi que, de certa forma, eu não estava errada.
Uma rutura limpa e final.
E assim, já não era um círculo.
Eu tinha-o transformado num arco.
Arcos convidam-te a passar por eles. E do outro lado, há apenas… mais estrada.
Mais vida.
Mais histórias.
Mais aventuras.
Esta cidade ensinou-me isso em cada uma das suas pedras.
Essas canções levaram-me a um estúdio em Nashville pela primeira vez na minha vida. São a razão pela qual estamos a construir a minha primeira digressão agora. E são a razão pela qual consegui escrever este itinerário para que tu também pudesses levar a Roménia contigo.
Não apenas as fotos. Não apenas o carimbo no teu passaporte.
Leva as happy hours. As chávenas de café. O dizer sim. A versão de ti que subiu ao palco, mesmo que estivesses aterrorizada.
Deixa que te faça maior, não menor.
Mais corajosa, não mais silenciosa.
Mesmo que não corra como esperavas.
Esta cidade já foi destruída antes.
Bombardeada numa guerra. Nivelada por um terramoto. Destruída por um ditador. Queimada novamente 3 dias após o início da minha viagem.
Nunca escondeu nada disso. Apenas continuou a construir. Continuou a adicionar beleza sobre os escombros até que os escombros se tornaram parte da beleza.
Até que se tornou…
...
Se ainda não estás pronta para partir, deixei mais alguns lugares para ti.
Ou segue-me para a Alemanha. Ou para a França.
De qualquer forma, sei exatamente o que deves ouvir no avião :)
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TZAYLA
~ A Aventura Soa Assim ~